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O autor

Carlos Eduardo de Souza, Front-End Developer & Interface Designer na Coopers Digital Production, dedica seu tempo para o desenvolvimento de uma Web mais acessível. Possui certificado W3C em Mobile (sites e web apps) e HTML5.

Portfolio e blog sobre Web Standards – project.47, de Carlos Eduardo de Souza

Blog

Topo 24/10/06

Analfabetismo bem-informado

Este post é mais um desabafo do que um artigo propriamente dito. Inspirado por um post no Contraditorium e por já fazer algum tempo que venho pensando sobre o assunto, quanto mais vejo, mais tenho certeza do que vou falar por aqui.

Semana passada, estávamos discutindo durante uma aula de Teoria do Design, sobre uma questão do povo brasileiro. O fato é que o povo, em geral, é muito bem-informado, ou seja, recebe muitas informaçőes vindas de diversas formas e, principalmente, mídias diferentes: rádio, televisão, Internet, jornal, etc. Estou ignorando o fato das informaçőes serem parciais ou não.

Apesar de tais informaçőes chegarem até as pessoas, parece que nada (ou quase nada) é absorvido. Não acho que seja questão de burrice, como foi dito por um colega durante a aula, mas o fato é que a maioria da população brasileira não sabe como receber as informaçőes ou, até mesmo, como aproveita-las.

Exemplos práticos disso não faltam, pois a Internet é um meio de comunicação que pode ser muito bem utilizado, devido o seu grande potencial de difusão das informaçőes, atingindo locais e usuários em diversos locais. Porém, como disse anteriormente, parece que as pessoas não sabem como utilizar esse potencial de forma satisfatória, pelo menos.

Se escrevo algum artigo falando sobre as fotos dos corpos do acidente da Gol, fotos da Juliana Paes sem calcinha, ou o vídeo da Cicarelli na praia, as visitas multiplicam-se em várias vezes. Agora, um conteúdo que exige um nível maior de cultura, não é tão bem recepcionado quanto os outros.

Outro exemplo fácil de perceber está no Orkut. Há comunidades para tudo que imaginar, desde as coisas mais corriqueiras como (ex: odeio acordar cedo) até as mais idiotas (ex: por que o mundo não explode?). O que mais irrita não são as comunidades, mas o conteúdo das mesmas. Posts no famoso linguajar “miguxęs” ou sem conteúdo, ou pior ainda, misturando os dois, são muito freqüentes e extremamente irritantes.

O que falar da programação do domingo na televisão então? Maravilhas como o Domingão do Faustão ou Gugu concluem totalmente minha linha de raciocínio. Nunca vi alguém elogiar a programação do dia, mas por que isso continua? Me perguntei sobre isso durante um bom tempo, até pensar na única resposta possível e plausível: esta programação continua porque o povo assiste. Se não houvesse audięncia, com certeza haveria grandes modificaçőes nos programas ou, até mesmo, a substituição dos mesmos.

Digo isso sobre boa parte da população brasileira pois vivo neste país e presencio fatos deste tipo todos os dias. Não que eu seja dono da verdade, é apenas uma opinião que estou expressando por aqui.
Então o grande problema não estaria no recebimento das informaçőes por parte da população, mas na interpretação e utilização das mesmas, sabendo distinguir o que é útil e o que não lhe acrescentará em nada, socialmente e/ou culturalmente falando.

Assuntos: Geral
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12 comentários para "Analfabetismo bem-informado"

  1. Rogério Brum | 24/10/06 - 2:33 pm

    As pessoas não filtram seu entretenimento por escala de utilidade. Elas (nós) querem estravazar um dia/semana de trabalho cansativo. Quantas vezes eu ja cheguei em casa e fui pra frente da tv assistir novela. É completamente sem-graça e muito inutil. Nao gosto de novela. Na hora que chegamos em casa, cansados, a ultima coisa que fazemos é ler um livro de filosofia. Podemos até ter vontade. Mas os corajosos que o tentam chegam, com sorte, até a quinta página…

    Domingo eu quero ver, o domigo passar

    É assim. Também nao gosto do domingo legal. Ninguem gosta. Todos sabem que ele só está la pra idiotizar a população. Mas, aos domingos, nossos cérebros demandam férias. Não devia ser, assim, concordo. Mas se nao for, será como? Quem vai colocar comida na nossa mesa se não trabalharmos?

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  2. Carlos Eduardo de Souza | 24/10/06 - 3:49 pm

    Concordo com vocę. É impossível sermos uns “robôs” que só fazem coisas úteis e que acrescentem culturalmente falando.

    Mas não estou me referindo ŕqueles que chegam cansados no final de semana e só querem “desestressar” assistindo qualquer coisa na TV.

    Estou falando daqueles que realmente não procuram coisas mais úteis, informaçőes válidas. E isso é o que mais tem.

    Como citei no texto, experimente ver no Orkut quanta baboseira tem por lá… Garanto que não é só “gente que trabalha muito e quer descansar um pouco”. Com certeza absoluta não.

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  3. Thalis Valle | 24/10/06 - 6:00 pm

    É isso aí, Carlos! A coisa tá feia, mesmo… mesmoooooo!!!

    Penso que isso é problema da educação. Educação é uma palavra no dicionário, no Brasil.

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  4. Joares | 24/10/06 - 10:27 pm

    Pois é… entendi o ponto onde o Carlos quer abordar…

    Realmente… muito do que se é veiculado na internet e nos meios de comunicação em geral para entretenimento, está direcionada ao ócio… para não dizer… ŕ imbecilidade… digo isso pq… qnto mais o povo não se instui mais manipulável ele fica…

    Acho q é um fato a ser pensado e divulgado… tipo… instrua povo!!!

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  5. Anderson Schloegel | 25/10/06 - 4:01 am

    Exatamente. Falta cultura pro nosso povo brasileiro.

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  6. Maria Bonita | 25/10/06 - 8:38 am

    Falta força de vontade e entre outros.

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  7. Eugenio Grigolon | 25/10/06 - 9:00 am

    Responsável por isso tudo: Globo, a maior manipuladora do Brasil.

    Ao meu ver? O povo brasileiro é LENTO, é só prestar atenção no transito, galera não anda, não sabe o que faz na rua… pouco esperta em relação aos fatos que acontecem bem debaixo de suas enormes e sujas narinas.

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  8. Joao | 27/10/06 - 9:40 pm

    Sem comentários… mais um post que nao agrega nada…

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  9. Carlos Eduardo de Souza | 28/10/06 - 12:22 am

    João, não lembro se vocę já comentou por aqui e expôs sua opinião sobre algum outro post.

    Primeiramente, trata-se de um blog, onde escrevo minhas opiniőes e escrevo sobre assuntos que julgo pertinentes aos meus “colegas de profissão”, por assim dizer. Não invento nada, não tiro nada do zero, só escrevo coisas que fazem parte do meu cotidiano, ou seja, que realmente são pertinentes a mim e, creio eu, que possa ser para outras pessoas também, claro que não para todos.

    O espaço está totalmente aberto para vocę colocar suas opiniőes sobre o assunto ou, pelo menos, justificar seu comentário, já que se trata de uma “discordância” ao assunto, então, quando discordamos de algo, o certo é argumentarmos o porque disso.

    Porém, não consegui compreender o porque de vocę escrever no modo pelo qual foi feito. Vocę tem seus direitos, obviamente, por estarmos tratando de um local aberto a discussőes, como eu já disse anteriormente, mas dizer que este é “mais um post que não agrega em nada”, provavelmente vocę não achou nada de interessante em tudo que escrevi por aqui.

    Repetindo o que eu havia dito anteriormente, não crio coisas do zero aqui, somente escrevo sobre assuntos que fazem parte do meu dia-a-dia, logo penso que possa ser pertinente a outras pessoas. Se vocę julga que nada lhe acrescenta, creio que não lide com a área e, portanto, é bem compreensível que não lhe agregue nada, mas não entendo o motivo pelo qual escreveu desta forma.

    Espero sua resposta.

    Topo
  10. Joao | 30/10/06 - 1:08 pm

    Assim como vocę critica o conteúdo da televisão, eu critico o conteúdo do seu site.

    Vocę não gosta e acha burro o conteúdo da televisão. Mas tem gente que gosta e assiste.

    Eu não gosto e acho burro o conteúdo do seu site. Mas tem gente que gosta e visita.

    Entendeu onde eu quis chegar? Respeito sua opinião a respeito da televisão e orkut, porém após seu comentário vejo que vocę pratica o “faça o que eu digo não faça o que eu faço!”.

    Assim como vocę opina criticando o conteúdo da TV, comunidades do Orkut, também deve aceitar receber opiniőes e criticas sobre o seu trabalho e seu site.

    As pessoas tem liberdade de escolher o que querem assitir ou fazer. Preciso da minha hora diária de bunda no sofá com a TV ligada em qualquer canal, para distrair… relaxar… rir…

    O comentário do Rogério foi muito bem colocado. Vejo que os outros apenas escreveram o óbvio ou puxaram o assunto para outro lado.

    Thalis: o que educação tem a ver com entretenimento? Então agora vamos ensinar matemática em partidas de futebol! Vamos ensinar portuguęs nas letras de músicas! Vamos ensinar Humanismo e Ecuminismo nas baladas! Video-Game apenas jogos que envolvam Matemática, Química e Biologia!

    Joares, o que está errado não é conteúdo, mas sim o quanto a pessoa fica no ócio ou na imbecilidade.

    Anderson, falta cultura para o povo brasileiro sim, mas isto é questão de educação, que não tem nada a ver com o entretenimento, mas sim com o que o Governo não investe. Preferem pagar uma Bolsa Família ao invęs de investir mais em edução. Remediam um problema com a bolsa família ao invęs de tentar acabar com o problema.

    Eugęnio: concordo com seu comentário, porém novamente, tem a ver com educação, não com entretenimento, que foi o assunto citado no post.

    Acho que era isto.

    PS: Eu gosto do seu site, apenas fiz uma “critica falsa” para levantar este debate.

    Topo
  11. Carlos Eduardo de Souza | 30/10/06 - 10:57 pm

    João, acho que vocę não pegou o “espírito” do meu post.

    Não foi direcionado ŕs informaçőes em si, mas como são recebidas, ou seja, o problema está no receptor, não em quem está enviando.

    Citei a programação de domingo na TV, mas falei que isso permanece da mesma forma pois há audięncia.
    Assim como o Rogério, entendo seu ponto de vista, mas vocęs dois viram o assunto por outro lado, não pelo qual estou me referindo. Entendo muito bem o caso das pessoas que buscam nesses (poucos) momentos, uma forma de descontração para as tensőes acumuladas durante a semana. Mas estou me referindo a todo e qualquer tipo de informação que chega ao usuário e continuo com meu ponto de vista, não são bem aproveitadas.

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  12. Doufer | 3/11/06 - 11:04 am

    “NO VELA” é o meu lema. Nem que eu tivesse tempo, pelo amor de deus, prefiro mil vezes assistir um filme ou um DVD de um show do que ficar na sala assistindo novela das 6 das 7 das…

    Cultura inútil, tô fora…

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